terça-feira, fevereiro 27

Achado


Estou meio sumido daqui. Talvez porque eu me ocupei ultimamente com Lost. É incrível. Viciante. A história parece simples, batida até. Pessoas sofrem desastre de avião e caem em ilha “deserta”. Mas o trivial se torna surpreendente. Mistérios e uma enxurrada de flashbacks fazem da série uma quebra cabeça em que brotam novas peças a cada instante. E falo das peças perceptíveis, por que, inúmeras estão nas estrelinhas. J.J Abrans também juntou muita história inteligentemente numa mesma caixa. Assisti as duas primeiras temporadas, cada uma com 7 discos e 25 episódios que fazem o mundo parecer mais pequeno e complicado a cada intervalo. Pessoas de muitas as partes do mundo acabam descobrindo alguma relação em comum, mais ou menos como ocorre com as tramas de Iñárritu. Mas as pontas do fio do labirinto ainda estão dentro da própria ilha, com transmissões fantasmas, fumaças negras, pessoas arrastadas para dentro da selva e escotilhas enterradas no chão. Escotilhas estas que acabam por mudar em partes o enredo e o cenário da primeira temporada. Na segunda temporada já paira um ar de calor tropical, nativos assustadores, uma música tocando na radiola e botões que escondem um terror quase atômico. E os “náufragos” são praticamente um time, cada um com uma habilidade evidenciada. Um médico que não gosta de fazer escolhas acaba se tornando líder, um caçador que antes da queda andava numa cadeira de rodas e trabalhava numa fábrica de caixas, um músico viciado em heroína, uma grávida que acaba dando a luz na floresta, um gordo que ganhou na loteria, um iraquiano que lutou na guerra do Golfo, pai e filho que na vida de antes viviam separados, uma prisioneira de índole boa disputada pelo médico e por uma golpista australiano e coreanos que a principio não falam inglês. E todos estes, mais outros secundários igualmente importantes não deixam a série cair no caricaturesco. E para os brasileiros uma grande surpresa: Quase no fim da segunda temporada, dois personagens falando português. Você pensa que esbarrou no botão de dublado do controle, mas não é. A terceira temporada promete. E que no fim, que tudo não passe de uma alucinação da cabeça de Hurley, como já foi insinuado. E nem pense em ganhar a loteria com os números da escotilha. Namastê, and good luck.

terça-feira, fevereiro 6

Gustav Ritter e a formação cultural de Campinas

Vou fazer desta página uma espécie de versão Beta para um projeto que estamos lançando. Esta é uma reportagem de um jornal impresso. Quem eventualmente ler, contribuia para melhorar o sistema. O Google faz isso, e ideias deles não tem donos, dizem. Há, a diagramação vai ser melhor no papel.




O Centro Cultural Gustav Ritter foi fundado em 1988, quando o governo do Estado comprou um edifício, próximo a Igreja Matriz de Campinas, para ser a sede da Orquestra Filarmônica de Goiás. Logo depois, somando as vocações do povo campineiro às grandes dimensões do edifício, instalou-se, também no Centro Cultural Gustav Ritter, a Escola de Música e Dança e a Orquestra de Violeiros. Já a história do prédio se confunde com a de Campinas. Foi erguido entre 1946 e 1950, pelos Pe. Oscar Chagas e Antonio Penteado para abrigar os padres Redentoristas que chegavam de todas as partes de Goiás. Em estilo Art Déco, a construção ainda imponente, funcionou como casa aos Redentoristas até 1986, quando passou a se dedicar a formar músicos, artistas, bailarinos e cidadãos. E não são poucos os que devem sua formação e sucesso, inclusive internacional, aos professores e colaboradores do Centro Cultural Gustav Ritter. Williene Teles Sampaio, aprovada em uma companhia de balé de Washignton, Estados Unidos, conta que deve toda sua formação aos mestres do Centro. Paulo Arrais, também formado em balé, venceu o premio Opera Paris, e atualmente apresenta-se no Royal Balé da Inglaterra. Eliabe Vieira, depois de classificado entre os melhores do Brasil, foi para o Balé da Dinamarca. E a lista não é mais extensa, porque, como afirma Williene Teles, muitos dos classificados não tem como arcar com as despesas de custos e não possuem patrocínios. Patrícia Nogueira, mãe de uma aluna do curso de flauta, questiona a cobrança de mensalidades e taxas de matrículas. Um meio que ela aponta para excluir as cobranças é vincular as Escolas de Música e Dança a Secretária de Educação e não a Agência de Cultura. Compartilha desta mesma opinião o músico e professor Charles D’Artagnan. Charles, que mora em Campinas desde 1963, é musico há 25 anos e tem cinco Cds gravados, acredita que a medida, se for juridicamente possível, trará mais profissionalismo ao Centro, uma vez que vai exigir concurso público para a contratação do corpo docente. Uma melhor seleção de profissionais, segundo ele, vai melhorar a remuneração da classe e valorizar boas administrações, como a da diretora Dilma Barbosa. O professor, que estudou no conservatório de música de Tatuí, o maior da América Latina, e viajou em apresentações por Roma, Madri, e Paris, vê nessa medida, além de parcerias com a iniciativa privada, um meio de melhorar o ensino, os instrumentos e a estrutura física do Centro. Formador de talentos populares e eruditos para a música goiana, a que considera originalmente brasileira, Charles D’Artagnan pensa que o Centro Cultural Gustav Ritter deve ser mais bem cuidado, e a taxas, se cobradas, devem ser revertidas para a manutenção. O músico observa ainda que, a expansão de novos centros culturais a diversos bairros de Goiânia, além de descobrir novos talentos, contribuí para reacender sentimentos de orgulho e paixão pelo bairro, cidade e cultura que aprendem a conhecer, assim como ele aprendeu a apreciar, Campinas e sua vocação cultural.

Quem pode participar do Centro Cultural Gustav Ritter

Podem participar dos cursos de Violino, Viola, Violoncelo, Contrabaixo, Violão, Piano, Flauta, Clarineta, Saxofone, Trompa, Trombone, Tuba, Bateria, Teclado, Técnica Vocal, Canto Coral, Percepção Musical, Regência Coral e Preparatório para o vestibular de música, crianças a partir de nove anos de idade, adolescente e adultos. Já a Escola de Dança oferece o curso de Balé Clássico, sendo que Sapateado e Jazz fazem parte do curso, crianças de 6 a 10 anos de idade. Os aprovados nos testes de aptidão, realizados entre 26 a 28 de fevereiro, podem procurar a secretária do Centro e efetuar a matrícula após pagar a taxa de 30 Reais, e mensalidades de nove parcelas de 10 reais.

Quem foi Gustav Ritter

Hering Gustav Ritter, que teve o nome imortalizado com a Centro Cultural, nasceu em Hamburgo, Alemanha, em 10 de Março de 1904 mas faleceu em Goiânia em 22 de outubro de 1971. Hering Gustav Ritter veio para o Brasil em 1925, depois de cursar a Escola de Belas Artes de Hamburgo. Trabalhando três anos como marceneiro, ofício que aprendeu na Escola de Belas Artes , Hering residiu em Estrela, Rio Grande do Sul. Em 1932, voltou a Alemanha e prestou exames de mestria perante a Câmara de Artes, setor marcenaria. Inconformado com o regime nazista, Hering Gustav Ritter aceitou o convite de amigos e mudou-se para a província de Loreto, no Peru. Em 1936, desceu o alto Amazonas peruano para retornar definitivamente ao Brasil. Trabalhou como arquiteto e desenhista no Ceará e Minas Gerais, quando em 1949, foi nomeado professor de Ensino Técnico e Industrial do Ministério da Educação da Escola Técnica Federal de Goiás. Lecionou Desenho de Móveis até 1970, quando fundou com o professor Luis Curato a Escola de Belas Artes da Universidade Católica de Goiás. Também foi fundador-professor do Instituto de Belas Artes da Universidade Federal de Goiás, onde se tornou titular da cadeira de Escultura, depois de ser nomeado cônsul honorário da Alemanha no Estado de Goiás.

quinta-feira, fevereiro 1

De Olho

Lia, agora a pouco, um exemplar de Época. Exemplar gentilmente cedido por uma recifense arretada, capaz de vender até areia no deserto e de convencer todo mundo que a vida é melhor no nordeste do que em Goiânia. Não é, Gisele. Mas obrigado. Lia a matéria de capa da edição 448, que trazia estampada a cara do mais premiado cantor da música brasileira. Roberto Carlos, dono de 100 milhões de cópias vendidas. O rosto do rei servia de fundo a uma pergunta aparentemente fútil. Por que a vida alheia, especialmente a das celebridades, nos atraí. De onde vem o interesse pela fofoca? A pergunta partia do sucesso de uma biografia não autorizada, recentemente lançada sobre o músico. Por que as pessoas se interessam por vidas de pessoas que nem conhecem. A reportagem da revista, na verdade, não respondeu satisfatoriamente a pergunta que propôs. Mas passou por caminhos interessantes. Ouviu alguns antropólogos e psicólogos e saiu com algo mais ou menos assim: Há milhões de anos, os hominídeos se sentam ao redor de fogueiras para conversar sobre as pessoas que conheciam em comum. Com a cultura de massas, a fogueira se tornou a televisão. O culto a celebridade ganhou dimensão com a telinha, mas não surgiu com ela. Tanto é, que o gênero literário “biografia” surgiu entre os anos 50 e 120, com o historiador Plutarco. Plutarco acreditava que a vida dos grandes deveria ser esmiuçada e exposta para servir de inspiração aos contemporâneos. Foi assim que pesquisou as vidas de Alexandre, o Grande, Julio César e Cícero para compor seu clássico Vidas Paralelas. A matéria também passeava por lados interessantes, como o problema do biografo em conflito com o biografado, citando exemplos celebres como Richard Ellman contando a vida de James Joyce e Peter Gay usando a psicanálise para narrar a vida de Sigmund Freud. O último, que tentei ler recentemente, pareceu-me uma jogada primorosa. Psicanálise para o pai da psicanálise. Apropriado. Já quanto ao problema central da questão, não saiu coisa muito além do pensado. O negocio é evolutivo. Por mais que o fato social tente disfarçar, e que a coerção impeça, todo mundo, assumidamente, ou não, gosta de fofoca. E ainda, de satanizar fofoqueiros e paparazzi. Falando em Paparazzi, Mel Gibson não emplacou sua película homônima, americanamente romântica para filmar fotógrafos escrupulosos tirando a privacidade de celebridades doces e gentis. Nem se lembrou que As Caras da vida só contratam Paparazis, porque há curiosidade em cada banca de revista. Muito menos levou em conta, a cadeia evolutiva. Não se pode esquecer do velho Darwin.
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