Sem um plano Marshall
George W. Bush chegou hoje ao Brasil e segue hoje mesmo para seu tour latino de seis dias. Obviamente foram muitos os protestos. Só para se ter uma idéia, só pelas terras tupiniquins, mais de 17.400 pessoas, em 17 estados, foram às ruas protestar contra a vinda do republicano. Mais isso é típico, sintomático. Aliás, a situação anda tão preta, que Bush não desembarca nem nos próprio Estados Unidos sem protestos. E as coisas ainda tendem a engrossar, muito mais, quando o Air Force One aterisar no Uruguai. O próprio Hugo Chávez vai estar a poucas milhas, em Buenos Aires, comandando um coro de mais de 40 mil vozes anti-Bush. Vai ser polêmico. Já é, por que Chávez já chegou a Argentina trazendo sua guarda nacional de mais de 300 militares, criando problemas com a soberania dos hermanos. Chávez também fez questão de convidar para o protesto o presidente e amigo boliviano Evo Morales, que não vai, porque, diz, vai se atrasar da viagem ao Japão. E o melhor é que o venezuelano vai mostrar seu melhor discurso em um glorioso, e lotado, estádio de futebol. E Bush, por questões geográficas e ideológicas, não vai assistir em Pay-per view. Mas Bush não vem a América Latina só para ser alvo de ataque das forças revolucionárias. Vem tratar de acordos importantes, inclusive para nós brasileiros, como o fim da sobretaxa do etanol no mercado americano e uma possível redução de subsídios aos agricultores. Mas, saí daqui sem nada concreto. Não vai excluir as barreiras alfandegárias e nem tocou no assunto dos subsídios. Fez chacota com jornalistas, visitou crianças no Morumbi, tocou ganzá numa roda de samba e zarpou. Quando indagado na coletiva de imprensa se os Estados Unidos esqueceu os latinos, Bush discordou da tese. Falou que em seu governo, de seis anos, a ajuda dobrou de US$ 800 milhões para US$ 1,6 bilhão. Fato. Mas ainda é pouco. Muito pouco. Nada suficiente para minimizar os problemas da pobreza e desigualdade. Num mês, US$ 7,6 bilhões vão para a guerra do Iraque. Pensar que fortalecer as democracias e investir no livre mercado vai, por si só, estabilizar a região é um erro. Tanto é, que sobe cada vez mais líderes contrários aos americanos. Bush também veio ao Brasil pensando em diversificar o seu mercado energético para evitar uma dependência ainda maior do petróleo. Assinou um acordo de cooperação tecnológica e só. Talvez, por que, não quer demonstrar ao Brasil, o maior produtor de álcool combustível do mundo, que está disposto á apenas trocar de fornecedor. Seis por meia dúzia. Venezuela e o Oriente Médio pelo Brasil. Para nós seria absurdamente vantajoso, para eles, nem tanto. O presidente americano também veio empenhado em ressaltar sua intenção de manter uma vizinhança próspera, pacífica e propícia para investimentos. Mas sem botar a mão no bolso e na caneta, vai ser difícil. E The New York Times ressaltou a importância da birra de Chávez: Sem ele, os olhos não estariam voltados para o quintal.


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