terça-feira, maio 22

"Spider Man, Spider Man!"

A terceira parte do Comis-Movie, traz o ágil, contagiante e ineditamente volúvel, Homem Aranha combatendo vilões inéditos, salvando pessoas e dependurando-se pelos arranha-céus de Manhattan. Com belas cenas, uma qualidade gráfica magnífica e com uma ação êxtasiante, Homem Aranha 3 (Sam Raimi, 2007), conquista.
Seguindo a mesma proposta das duas edições anteriores, a co-produção de Stan Lee cumpre, como poucos, sua proposta: Entretém e diverte. Com inovações roteiristicas diretas no desenrolar dos personagens principais, novas e dinâmicas situações são criadas, sem se desprender da história preconizada nas edições anteriores nem da base original, retirada do quadrinho.
Uma vez considerando o quadrinho como a fonte original, e isto não pode obviamente ser excluído, grandes incoerências sejam cinematográficas como uma suspensão de descrença, ou mesmo de ordem física e lógica, devem ser desprezadas pela verossimilhança de um outro meio comunicacional, no caso, o quadrinho.
Novas guinadas, ainda que forçadas, se analisadas pelo parâmetro real, dão novo gosto a trama. Gosto, que não surge apenas pela fuga, óbvia, da realidade, uma vez que este efeito já era explorado nas edições anteriores, mas, nas mudanças comportamentais dos personagens.
O introvertido repórter-estudante Peter Parker (Tobey Maguire) muda contrariamente sua personalidade ao se ver em contato com uma mal explicada substância alienígena. A antes dócil, fugaz e até mesmo manobrável Mary Jane Watson (Kirsten Dunst) se torna viva, real e atuante. Harry Osbonr (James Franco), antes um personagem secundário, reencarna o primeiro vilão da série, Duente Verde, estrelado por Willem Dafoe.

Sem logicamente sair da proposta cinematográfica original, de filme-mercadoria, linear, estrutura tradicional e clássica, incluindo todas as implicações advindas deste modelo de cinema, como transmissão de uma ideologia, inclusive política, fundo de moral e retidão das relações sociológicas, Homem Aranha 3 trabalha algumas questões psicológicas, evidenciadas, por exemplo, na justificativa da maldade de Flint Marko – Homem-Areia (Thomas Haden Church) ou nas sucessivas relativações da causamortis de Tio Ben (Cliff Robertson).

A também inédita crise entre Peter Parker e Mary Jane mostra um elemento típico do cinema tradicional. O triângulo amoroso. Como o vértice anterior, esboçado por Harry Osborn é quebrado, uma nova personagem é introduzida. Gwen Stacy (Bryce Dallas Howard) com suas óbvias características aristocráticas, rompe a dicotomia econômica existente entre Harry e Peter e a transfere a Mary Jane. O ponto de apoio do triângulo, que antes se centrava também em Mary Jane é transferido a Peter Parker.

A evidenciação do trabalho jornalístico, na profissão de Peter Parker, em cenas internas na redação do Clarim Diário, na cobertura mídiatica do fenômeno Homem Aranha e na introdução de um novo personagem-repórter, mostra a dupla relação que o cinema tradicional constrói com o profissional jornalista. Digno, de caráter, preocupado com o bem-comum em Peter Parker – Homem Aranha e inescrupuloso, vil, e sensacionalista com Eddie Brock – Vennon (Topher Grace).

A relação do fantástico, como característica do gênero, aparece na impotência dos humanos em solucionar problemas colossais, criados por seres também colossais, em habilidade e poder. A capacidade de encaixar a produção nos elos anteriores e criar novos, claramente acenando para continuações, tornam a série verossímil, divertida e emocionante. A inconclusão amorosa e os transtornos bipolar de Parker-Aranha, criam expectativa para a seqüência.
A película, suas edições anteriores e posteriores, não devem faltar na estante, na respectiva secção: Entretenimento e diversão.

domingo, abril 15

Jornalismo: Compromisso diário com a Ética.

Este texto não segue a temática desta página, mas, ao mesmo tempo, é tão demagógico que é quase um tratado de humor negro. Segue, "Como eu, enquanto jornalista, posso melhorar o mundo". Devaneios da academia.

O jornalismo é um valor estruturante da sociedade democrática. É, por que, nele reside um direito primário, fundamental do homem: O acesso à informação. No jornalismo, muitas vezes exclusivamente, ou mais satisfatoriamente, a sociedade exerce, constrói e recebe, diariamente este valor fundamental. E como mediador de tão importante canal social, está o jornalista, que já por isto, tem a obrigação de usar a ética. Tem ainda mais, uma vez que o jornalista é o profissional, entre todos possíveis, que mais atinge pessoas. Ainda que numericamente, é o mais é lido, visto ou ouvido. É daí que surge o conceito do jornalista como formador de opinião. Considerando este alcance fenomenal, é preciso critérios, métodos e responsabilidade para se fazer jornalismo. Neste ponto, entra a ética. Ouve-se muito sobre ética, dever ético, obrigação ética. Mas, afinal, o que é ética?
Grandes mentes, de variados períodos históricos já se preocuparam com o que é ser ético. Aristóteles, Estóicos, pensadores cristãos como os escolásticos, Kant, Habermas, ou Nietzsche já proporão seus temporais, ou atemporais, “códigos de ética”. Surgiu também dentro destes modelos, vários tipos diferentes de ética. Muitos até antagônicos. A ética normativa, que possuiu algumas agrupações como a ética deontologica ou a ética teleológica é baseada na aceitação de regras e princípios fixos que determinam o que é certo ou que é errado. Dentro da ética teleológica encontramos subdivisões como a ética conseqüencialista e a ética de virtudes que se baseiam na tentativa de se obter a felicidade, apenas ela, relevando outras medidas que a impeça. Apenas nesta simples exposição de conceitos é possível perceber como é difícil ser ético. Ainda que estes conceitos sejam poucos perceptíveis na prática, e ser ético a leigo modo, possa resumir-se a tentar fazer o melhor, há de se considerar que muitas decisões importantes passarão pelo jornalista e este, como o porteiro da teoria do gatekeeper é que vai decidi quais são as informações relevantes.
Acreditando na possibilidade real do jornalista como selecionador da informação, é primordial que se utilize os melhores meios e métodos possíveis para se (re)passar a informação da forma mais isenta possível, com o menor número de interferências, ouvindo-se todos os lados envolvidos e evitando os julgamentos de valores. Em jornalismo, admitindo o jornalista como o construtor de uma realidade, como faz o newsmaking, ser ético é tentar construir da maneira mais real possível. E eu, como jornalista, devo considerar a ética como sinônimo de tentar fazer o melhor para repassar a realidade.

sábado, março 10

Sem um plano Marshall

George W. Bush chegou hoje ao Brasil e segue hoje mesmo para seu tour latino de seis dias. Obviamente foram muitos os protestos. Só para se ter uma idéia, só pelas terras tupiniquins, mais de 17.400 pessoas, em 17 estados, foram às ruas protestar contra a vinda do republicano. Mais isso é típico, sintomático. Aliás, a situação anda tão preta, que Bush não desembarca nem nos próprio Estados Unidos sem protestos. E as coisas ainda tendem a engrossar, muito mais, quando o Air Force One aterisar no Uruguai. O próprio Hugo Chávez vai estar a poucas milhas, em Buenos Aires, comandando um coro de mais de 40 mil vozes anti-Bush. Vai ser polêmico. Já é, por que Chávez já chegou a Argentina trazendo sua guarda nacional de mais de 300 militares, criando problemas com a soberania dos hermanos. Chávez também fez questão de convidar para o protesto o presidente e amigo boliviano Evo Morales, que não vai, porque, diz, vai se atrasar da viagem ao Japão. E o melhor é que o venezuelano vai mostrar seu melhor discurso em um glorioso, e lotado, estádio de futebol. E Bush, por questões geográficas e ideológicas, não vai assistir em Pay-per view. Mas Bush não vem a América Latina só para ser alvo de ataque das forças revolucionárias. Vem tratar de acordos importantes, inclusive para nós brasileiros, como o fim da sobretaxa do etanol no mercado americano e uma possível redução de subsídios aos agricultores. Mas, saí daqui sem nada concreto. Não vai excluir as barreiras alfandegárias e nem tocou no assunto dos subsídios. Fez chacota com jornalistas, visitou crianças no Morumbi, tocou ganzá numa roda de samba e zarpou. Quando indagado na coletiva de imprensa se os Estados Unidos esqueceu os latinos, Bush discordou da tese. Falou que em seu governo, de seis anos, a ajuda dobrou de US$ 800 milhões para US$ 1,6 bilhão. Fato. Mas ainda é pouco. Muito pouco. Nada suficiente para minimizar os problemas da pobreza e desigualdade. Num mês, US$ 7,6 bilhões vão para a guerra do Iraque. Pensar que fortalecer as democracias e investir no livre mercado vai, por si só, estabilizar a região é um erro. Tanto é, que sobe cada vez mais líderes contrários aos americanos. Bush também veio ao Brasil pensando em diversificar o seu mercado energético para evitar uma dependência ainda maior do petróleo. Assinou um acordo de cooperação tecnológica e só. Talvez, por que, não quer demonstrar ao Brasil, o maior produtor de álcool combustível do mundo, que está disposto á apenas trocar de fornecedor. Seis por meia dúzia. Venezuela e o Oriente Médio pelo Brasil. Para nós seria absurdamente vantajoso, para eles, nem tanto. O presidente americano também veio empenhado em ressaltar sua intenção de manter uma vizinhança próspera, pacífica e propícia para investimentos. Mas sem botar a mão no bolso e na caneta, vai ser difícil. E The New York Times ressaltou a importância da birra de Chávez: Sem ele, os olhos não estariam voltados para o quintal.

terça-feira, fevereiro 27

Achado


Estou meio sumido daqui. Talvez porque eu me ocupei ultimamente com Lost. É incrível. Viciante. A história parece simples, batida até. Pessoas sofrem desastre de avião e caem em ilha “deserta”. Mas o trivial se torna surpreendente. Mistérios e uma enxurrada de flashbacks fazem da série uma quebra cabeça em que brotam novas peças a cada instante. E falo das peças perceptíveis, por que, inúmeras estão nas estrelinhas. J.J Abrans também juntou muita história inteligentemente numa mesma caixa. Assisti as duas primeiras temporadas, cada uma com 7 discos e 25 episódios que fazem o mundo parecer mais pequeno e complicado a cada intervalo. Pessoas de muitas as partes do mundo acabam descobrindo alguma relação em comum, mais ou menos como ocorre com as tramas de Iñárritu. Mas as pontas do fio do labirinto ainda estão dentro da própria ilha, com transmissões fantasmas, fumaças negras, pessoas arrastadas para dentro da selva e escotilhas enterradas no chão. Escotilhas estas que acabam por mudar em partes o enredo e o cenário da primeira temporada. Na segunda temporada já paira um ar de calor tropical, nativos assustadores, uma música tocando na radiola e botões que escondem um terror quase atômico. E os “náufragos” são praticamente um time, cada um com uma habilidade evidenciada. Um médico que não gosta de fazer escolhas acaba se tornando líder, um caçador que antes da queda andava numa cadeira de rodas e trabalhava numa fábrica de caixas, um músico viciado em heroína, uma grávida que acaba dando a luz na floresta, um gordo que ganhou na loteria, um iraquiano que lutou na guerra do Golfo, pai e filho que na vida de antes viviam separados, uma prisioneira de índole boa disputada pelo médico e por uma golpista australiano e coreanos que a principio não falam inglês. E todos estes, mais outros secundários igualmente importantes não deixam a série cair no caricaturesco. E para os brasileiros uma grande surpresa: Quase no fim da segunda temporada, dois personagens falando português. Você pensa que esbarrou no botão de dublado do controle, mas não é. A terceira temporada promete. E que no fim, que tudo não passe de uma alucinação da cabeça de Hurley, como já foi insinuado. E nem pense em ganhar a loteria com os números da escotilha. Namastê, and good luck.

terça-feira, fevereiro 6

Gustav Ritter e a formação cultural de Campinas

Vou fazer desta página uma espécie de versão Beta para um projeto que estamos lançando. Esta é uma reportagem de um jornal impresso. Quem eventualmente ler, contribuia para melhorar o sistema. O Google faz isso, e ideias deles não tem donos, dizem. Há, a diagramação vai ser melhor no papel.




O Centro Cultural Gustav Ritter foi fundado em 1988, quando o governo do Estado comprou um edifício, próximo a Igreja Matriz de Campinas, para ser a sede da Orquestra Filarmônica de Goiás. Logo depois, somando as vocações do povo campineiro às grandes dimensões do edifício, instalou-se, também no Centro Cultural Gustav Ritter, a Escola de Música e Dança e a Orquestra de Violeiros. Já a história do prédio se confunde com a de Campinas. Foi erguido entre 1946 e 1950, pelos Pe. Oscar Chagas e Antonio Penteado para abrigar os padres Redentoristas que chegavam de todas as partes de Goiás. Em estilo Art Déco, a construção ainda imponente, funcionou como casa aos Redentoristas até 1986, quando passou a se dedicar a formar músicos, artistas, bailarinos e cidadãos. E não são poucos os que devem sua formação e sucesso, inclusive internacional, aos professores e colaboradores do Centro Cultural Gustav Ritter. Williene Teles Sampaio, aprovada em uma companhia de balé de Washignton, Estados Unidos, conta que deve toda sua formação aos mestres do Centro. Paulo Arrais, também formado em balé, venceu o premio Opera Paris, e atualmente apresenta-se no Royal Balé da Inglaterra. Eliabe Vieira, depois de classificado entre os melhores do Brasil, foi para o Balé da Dinamarca. E a lista não é mais extensa, porque, como afirma Williene Teles, muitos dos classificados não tem como arcar com as despesas de custos e não possuem patrocínios. Patrícia Nogueira, mãe de uma aluna do curso de flauta, questiona a cobrança de mensalidades e taxas de matrículas. Um meio que ela aponta para excluir as cobranças é vincular as Escolas de Música e Dança a Secretária de Educação e não a Agência de Cultura. Compartilha desta mesma opinião o músico e professor Charles D’Artagnan. Charles, que mora em Campinas desde 1963, é musico há 25 anos e tem cinco Cds gravados, acredita que a medida, se for juridicamente possível, trará mais profissionalismo ao Centro, uma vez que vai exigir concurso público para a contratação do corpo docente. Uma melhor seleção de profissionais, segundo ele, vai melhorar a remuneração da classe e valorizar boas administrações, como a da diretora Dilma Barbosa. O professor, que estudou no conservatório de música de Tatuí, o maior da América Latina, e viajou em apresentações por Roma, Madri, e Paris, vê nessa medida, além de parcerias com a iniciativa privada, um meio de melhorar o ensino, os instrumentos e a estrutura física do Centro. Formador de talentos populares e eruditos para a música goiana, a que considera originalmente brasileira, Charles D’Artagnan pensa que o Centro Cultural Gustav Ritter deve ser mais bem cuidado, e a taxas, se cobradas, devem ser revertidas para a manutenção. O músico observa ainda que, a expansão de novos centros culturais a diversos bairros de Goiânia, além de descobrir novos talentos, contribuí para reacender sentimentos de orgulho e paixão pelo bairro, cidade e cultura que aprendem a conhecer, assim como ele aprendeu a apreciar, Campinas e sua vocação cultural.

Quem pode participar do Centro Cultural Gustav Ritter

Podem participar dos cursos de Violino, Viola, Violoncelo, Contrabaixo, Violão, Piano, Flauta, Clarineta, Saxofone, Trompa, Trombone, Tuba, Bateria, Teclado, Técnica Vocal, Canto Coral, Percepção Musical, Regência Coral e Preparatório para o vestibular de música, crianças a partir de nove anos de idade, adolescente e adultos. Já a Escola de Dança oferece o curso de Balé Clássico, sendo que Sapateado e Jazz fazem parte do curso, crianças de 6 a 10 anos de idade. Os aprovados nos testes de aptidão, realizados entre 26 a 28 de fevereiro, podem procurar a secretária do Centro e efetuar a matrícula após pagar a taxa de 30 Reais, e mensalidades de nove parcelas de 10 reais.

Quem foi Gustav Ritter

Hering Gustav Ritter, que teve o nome imortalizado com a Centro Cultural, nasceu em Hamburgo, Alemanha, em 10 de Março de 1904 mas faleceu em Goiânia em 22 de outubro de 1971. Hering Gustav Ritter veio para o Brasil em 1925, depois de cursar a Escola de Belas Artes de Hamburgo. Trabalhando três anos como marceneiro, ofício que aprendeu na Escola de Belas Artes , Hering residiu em Estrela, Rio Grande do Sul. Em 1932, voltou a Alemanha e prestou exames de mestria perante a Câmara de Artes, setor marcenaria. Inconformado com o regime nazista, Hering Gustav Ritter aceitou o convite de amigos e mudou-se para a província de Loreto, no Peru. Em 1936, desceu o alto Amazonas peruano para retornar definitivamente ao Brasil. Trabalhou como arquiteto e desenhista no Ceará e Minas Gerais, quando em 1949, foi nomeado professor de Ensino Técnico e Industrial do Ministério da Educação da Escola Técnica Federal de Goiás. Lecionou Desenho de Móveis até 1970, quando fundou com o professor Luis Curato a Escola de Belas Artes da Universidade Católica de Goiás. Também foi fundador-professor do Instituto de Belas Artes da Universidade Federal de Goiás, onde se tornou titular da cadeira de Escultura, depois de ser nomeado cônsul honorário da Alemanha no Estado de Goiás.

quinta-feira, fevereiro 1

De Olho

Lia, agora a pouco, um exemplar de Época. Exemplar gentilmente cedido por uma recifense arretada, capaz de vender até areia no deserto e de convencer todo mundo que a vida é melhor no nordeste do que em Goiânia. Não é, Gisele. Mas obrigado. Lia a matéria de capa da edição 448, que trazia estampada a cara do mais premiado cantor da música brasileira. Roberto Carlos, dono de 100 milhões de cópias vendidas. O rosto do rei servia de fundo a uma pergunta aparentemente fútil. Por que a vida alheia, especialmente a das celebridades, nos atraí. De onde vem o interesse pela fofoca? A pergunta partia do sucesso de uma biografia não autorizada, recentemente lançada sobre o músico. Por que as pessoas se interessam por vidas de pessoas que nem conhecem. A reportagem da revista, na verdade, não respondeu satisfatoriamente a pergunta que propôs. Mas passou por caminhos interessantes. Ouviu alguns antropólogos e psicólogos e saiu com algo mais ou menos assim: Há milhões de anos, os hominídeos se sentam ao redor de fogueiras para conversar sobre as pessoas que conheciam em comum. Com a cultura de massas, a fogueira se tornou a televisão. O culto a celebridade ganhou dimensão com a telinha, mas não surgiu com ela. Tanto é, que o gênero literário “biografia” surgiu entre os anos 50 e 120, com o historiador Plutarco. Plutarco acreditava que a vida dos grandes deveria ser esmiuçada e exposta para servir de inspiração aos contemporâneos. Foi assim que pesquisou as vidas de Alexandre, o Grande, Julio César e Cícero para compor seu clássico Vidas Paralelas. A matéria também passeava por lados interessantes, como o problema do biografo em conflito com o biografado, citando exemplos celebres como Richard Ellman contando a vida de James Joyce e Peter Gay usando a psicanálise para narrar a vida de Sigmund Freud. O último, que tentei ler recentemente, pareceu-me uma jogada primorosa. Psicanálise para o pai da psicanálise. Apropriado. Já quanto ao problema central da questão, não saiu coisa muito além do pensado. O negocio é evolutivo. Por mais que o fato social tente disfarçar, e que a coerção impeça, todo mundo, assumidamente, ou não, gosta de fofoca. E ainda, de satanizar fofoqueiros e paparazzi. Falando em Paparazzi, Mel Gibson não emplacou sua película homônima, americanamente romântica para filmar fotógrafos escrupulosos tirando a privacidade de celebridades doces e gentis. Nem se lembrou que As Caras da vida só contratam Paparazis, porque há curiosidade em cada banca de revista. Muito menos levou em conta, a cadeia evolutiva. Não se pode esquecer do velho Darwin.

domingo, janeiro 28

Ô Abre Alas

Não se sabe ao certo onde começou o carnaval. Alguns pesquisadores acreditam que o carnaval surgiu dos bacanais de Roma. Outra corrente acredita que a origem do carnaval é ainda mais remota. Surgiu das celebrações a deusa Ísis e o deus Osíris no Egito antigo. Outros pesquisadores já acreditam que a festa do carnaval, como a conhecemos hoje, iniciou-se com a adoção do calendário cristão, sendo de certo modo, a forma mais fiel a nossa realidade. Quanto ao nome da festa, também não há consenso. Algumas ações apontam que o nome surgiu ainda no império romano, quando uma festa típica levava as ruas um carro em forma de navio, abrindo caminho sobre a multidão. A festa da Saturnália, como ficou conhecido o festejo pagão, foi incorporada pela Igreja Católica e a palavra surgiu daí: Carrum navalis (carro naval). Entretanto, essa etimologia é contestada por uma tese mais aceita. A de que a expressão “Carnaval” surgiu do latim carne levare, que significa afastar a carne, adotado pela Igreja como uma espécie de ultimo momento alegre e profano antes do triste momento da Quaresma. A Quaresma é os 40 dias entre a Quarta-feira de Cinzas e a Quinta-feira Santa, em que os cristãos são convidados a um período de penitência, jejum e oração. Como a Quaresma só foi definitivamente estabelecida pela Igreja Católica em 1091, o carnaval só se fixou a partir daí no calendário cristão, e posteriormente, em toda a cultura ocidental. Por isso, vemos até hoje desfiles na Alemanha, na Itália e em regiões da França e nas Américas, como os famosos carnavais de Nova Orleans ou da Cidade do México. Mesmo com toda essa popularidade, a “festa da carne” nunca deixou de ser polêmica. Tanto é, que Papas como Inocêncio II foram severos ao combate festa do povo. Já com os ventos liberais do Renascimento soprando sobre as correntes da história, da religião e da cultura, o carnaval novamente readquiriu seu caráter alegre e festivo e perdendo, em parte, o estigma vindo da Idade Média. Nesse movimento social, a festa ganhou um ar popular e desorganizado, na medida que se expandia por Portugual, Espanha, Itália. Pelos mesmos ventos liberais, o carnaval desembarcou no Brasil trazido pelos portugueses ficando inicialmente conhecido como Entrudo, que nada mais era do que sair as ruas atirando frutas, serpentinas, e perfumes uns aos outros. Como a manifestação popular era mal vista, tentou-se civilizar o carnaval, adotando, aqui no Brasil, os bailes de mascaras parisienses. Foi daí surgiu fantasias que ainda fazem sucesso nos bailes de hoje, como Pierrot, Rei Momo e Colombina. Como o carnaval casou perfeitamente com o clima brasileiro, logo o costume se alastrou. Com calor tropical, veio também as conhecidas marchinhas de carnaval, como Ô Abre Alas cantada pela primeira vez em 1899 por Chiquinha Gonzaga. As marchinhas contribuíram ainda mais para a popularização da festa e em poucas décadas o carnaval já se tornava mania nacional, gerando a cada ano milhares de empregos e fama internacional.
João Paulo Carmo


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