Demagogia
Em minhas perambulações pelo transporte coletivo da capital, na máxima lotação que um ônibus pode permitir, esbarrei com um cara lá que também disputava o centímetro quadrado do assoalho. Às 16 horas do calor do cerrado, começamos o que todo ser humano adora fazer. Reclamar. Reclamamos de tudo. Do governo, do transporte coletivo, do prefeito, da justiça, da corrupção, da crise financeira, de Deus, do Capeta e do caralho de asa. Daí, pra mostrar minha indignação e um “q” de intelectualidade, citei a manchete que tinha lido ontem ou hoje no jornal de manhã. Uma, que falava do aumento do teto Maximo dos promotores e procuradores de justiça. (esse M não é propositalmente maiúsculo, mas o Word não aceita minúsculo. Se bem que é mais apropriado pro valor de 24,5 Mil.)
Falei, só na ânsia de reclamar, como quem se diz promotores e procuradores da justiça (bela justiça) podem aumentar o próprio salário pra esses valores. Citei até uma fala do Cristóvão Buarque, criticando tudo também: “Corrupção não é só desviar recurso público, mas também não eleger prioridades. Construir prédios públicos luxuosos em um país que não tem saneamento básico também é corrupção.”
Bem clichê, senso comum e demagógico. Daí o cara se empolgou e começou a contar sua história de vida. Que veio do interior da Bahia, estava cursando um curso de direito, mas enfrentava sérios problemas financeiros, e não conseguia arcar com as mensalidades. Porém, dizia que estava amparado por uma lei lá que ele citou, que permite ao universitário continuar os estudos caso prove que não tem condições financeiras de manter com as despesas. Emendou que queria ser formar e mudar isso tudo. Pensei que fosse a “situação geral” e já me preparei pra a tese revolucionária.
Saiu assim: Vim lá do interior do sertão, peno mais que cachorro, acordo cedo, pego ônibus lotado e trabalho a noite é pra chegar em algum lugar. Vim estudar foi pra ganhar um salário desses.
E o ônibus continuava lotado.
Falei, só na ânsia de reclamar, como quem se diz promotores e procuradores da justiça (bela justiça) podem aumentar o próprio salário pra esses valores. Citei até uma fala do Cristóvão Buarque, criticando tudo também: “Corrupção não é só desviar recurso público, mas também não eleger prioridades. Construir prédios públicos luxuosos em um país que não tem saneamento básico também é corrupção.”
Bem clichê, senso comum e demagógico. Daí o cara se empolgou e começou a contar sua história de vida. Que veio do interior da Bahia, estava cursando um curso de direito, mas enfrentava sérios problemas financeiros, e não conseguia arcar com as mensalidades. Porém, dizia que estava amparado por uma lei lá que ele citou, que permite ao universitário continuar os estudos caso prove que não tem condições financeiras de manter com as despesas. Emendou que queria ser formar e mudar isso tudo. Pensei que fosse a “situação geral” e já me preparei pra a tese revolucionária.
Saiu assim: Vim lá do interior do sertão, peno mais que cachorro, acordo cedo, pego ônibus lotado e trabalho a noite é pra chegar em algum lugar. Vim estudar foi pra ganhar um salário desses.
E o ônibus continuava lotado.


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